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Especialista prevê agravamento da taxa de desemprego no país

O resultado da Pnad Contínua Mensal, que será divulgado amanhã (30), pelo
IBGE, deve apresentar uma taxa de 14,4% de desemprego, de acordo com
análise do economista e professor da Fipecafi, Samuel Durso. Isso representa
aproximadamente 14,5 milhões de pessoas que estão fora do mercado de
trabalho.
O período de referência do resultado é o mês de fevereiro deste ano, quando
se tinha um cenário diferente, como comenta o especialista.
“É importante lembrar que, no período, o novo auxílio emergencial ainda não
havia sido liberado pelo Governo Federal e os números da pandemia
caminhavam para os piores resultados, obtidos em março e abril. Dessa
forma, espera-se que a taxa de desemprego para fevereiro de 2021 continue
nos patamares elevados que estamos percebendo desde o segundo semestre
de 2020”, ressaltou.
Durso também fala sobre os setores que podem ser mais afetados. “Comércio
e alojamento e alimentação podem se manter estáveis na Pnad de fevereiro,
uma vez que o nível de ocupação reportada em janeiro para esses setores
mostrou uma redução elevada. Para os demais setores, espera-se pequenas
reduções, pressionando, no conjunto, a taxa de desocupação”, destacou.O que esperar do mercado de trabalho
Para os próximos resultados da Pnad, dos meses de março e abril, é esperado
um agravamento do desemprego no país, em decorrência da piora nas taxas
de contaminação da Covid-19 em todos os Estados.
“Apenas no final de abril foi anunciado pelo Governo Federal um novo pacote
de auxílio às empresas para manutenção dos postos de trabalho, com redução
da jornada e suspensão de contratos. A demora para estabelecer medidas
contingenciais deve gerar, para os próximos resultados da Pnad, um impacto
negativo para o emprego, podendo chegar a uma taxa de desocupação a 15%,
representando um total aproximado de 15 milhões de desempregados no
país”, explicou Durso.
Para o professor da Fipecafi, as novas medidas de manutenção do trabalho
anunciadas neste mês de abril, aliadas a continuidade da campanha de
vacinação, deverão retornar parte da confiança do mercado, contribuindo
para a geração de novos postos de trabalho. “O mais provável é que esses
benefícios sejam percebidos apenas no segundo semestre de 2021”, disse.
Em relação a retomada da economia, o especialista aponta que as incertezas
devem impactar negativamente o cenário para o mercado de trabalho.
“A economia só retomará o ritmo de crescimento quando a campanha de
vacinação acelerar. Ainda estamos vacinando menos do que o necessário para
imunizar toda a população adulta até o final do ano. Para o segundo
semestre, quando a imunização estiver mais adiantada, é possível que as
consequências negativas da pandemia percam o fôlego. Contudo, as
incertezas políticas que rondam o mercado brasileiro ainda podem influenciar
negativamente na economia, reduzindo o otimismo dos empresários e,
consequentemente, impedindo a geração de novos postos de trabalho”,
explicou.
Auxílio emergencial
Com o início do pagamento da nova rodada do auxílio emergencial muitas
famílias podem se beneficiar, mas para reduzir o desemprego é importante
melhorar a confiança do mercado para que seja possível criar novos postos de
trabalho.
“O novo auxílio emergencial, apesar de menor e menos abrangente do que o
primeiro, deverá reduzir a pressão de algumas famílias pela busca de
emprego. Se isso acontecer, haverá uma melhoria a taxa de desocupação para
períodos futuros. Indivíduos que estavam procurando emprego, mas não
conseguindo, com o auxílio emergencial, poderão utilizar o recurso para suas
necessidades mínimas”.
“Nesse cenário, ao parar de procurar, momentaneamente, uma colocação no
mercado, esses indivíduos saem da categoria de “desocupados”. Contudo, é
importante destacar que o auxílio, apesar de ser uma injeção de recursos
importante para a economia, não garante por si só a geração de novos postos
de trabalho. É necessário aumentar a confiança do mercado para que novos
postos sejam criados pelas empresas. Para que isso aconteça de forma
efetiva, uma campanha de vacinação forte mostra-se essencial”, afirma.

Fonte*Blog do Jamildo / NE10

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