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GameStop, prata… Qual é o próximo alvo dos sardinhas?

É impossível prever os passos do cardume, mas o padrão de atuação que
se formou desde a semana passada nos dá algumas pistas

GameStop é coisa do passado. Nesta segunda-feira (1º), foi a vez da prata
brilhar e atingir seu maior preço em oito anos: mais de US$ 30 a onça. Isso
porque o metal precioso foi a ocupação do dia de pequenos investidores,
organizados via fóruns online no Reddit e comprando com facilidade por
aplicativos como o Robinhood.
"Não sabemos qual será o próximo alvo, mas esse já é um bom indicativo",
afirma Jhonatan Hoff, professor da FIPECAFI (Fundação Instituto de
Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras). "Deve ser algo que esteja
desvalorizado no mercado e em posição vendida dos grandes investidores".
A receita, que foi testada com as ações da varejista de game dos EUA, é
simples: comprar massivamente, em grandes grupos de pequenos investidores,
para fazer com que os tubarões do mercado, como grandes fundos de
investimentos e investidores institucionais, como bancos, errem suas
previsões. O que eles apostam que ia cair, na verdade, sobe.
Quem já percebeu esse padrão, inclusive, foi o Robinhood: depois da
movimentação, o app limitou a negociação não apenas dos papéis da
GameStop, mas de outros semelhantes, como os da Nokia e AMC. As ações da
Blackberry e da Bed Bath & Beyond também são vista como "meme stocks".
Regulação
E até quando os sardinhas vão ditar os rumos do mercado dessa forma?
"Enquanto estiver dando certo, não tem razão para acabar", afirma Henrique
Esteter, analista da Guide Investimentos. Além de a fórmula ter dado certo,
ainda não há maneiras muito claras de impedir esses movimentos. "Derrubar o
fórum do ar seria antidemocrático, e mesmo quem está lá pode não ter
negociado ações na prática", diz.
A SEC (Securities and Exchange Comission), órgão regulador do mercado de
capitais norte-americano, afirmou que monitora a volatilidade das
negociações e que há pedidos de punição por manipulação no caso da
GameStop. No entanto, não é consenso se atitudes deveriam, de fato, ser
tomadas. "Precisamos nos perguntar se esse controle é desejável e se não vai
contra os preceitos de livre mercado", alerta o professor da FIPECAFI.
Apesar de todos os olhos se voltarem para as sardinhas, as condições para que
essas distorções aconteçam não são novas. "Isso foi gerado sobretudo pelas
posições dos tubarões", indica Hoff. "Eu acredito que daqui para frente os
grandes investidores vão passar a olhar com mais cuidado o movimento dos
pequenos investidores".
Nos EUA, quase metade da população investe na bolsa de valores, segundo
dados do Statista. Assim, se coordenados, investidores pessoa física têm
força, como mostram as altas recentes. "Lá é um grupo muito grande,
diferente do que tentaram fazer com a IRB aqui no Brasil", compara Esteter.
Na semana passada, sardinhas brasileiras tentaram puxar os papéis da
resseguradora, inspirados pelos pares norte-americanos.

Fonte* Portal Revista Época Negócios 

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